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Viagem ao Túnel do Tempo - Carmen Lobão

| domingo, 26 de agosto de 2012

"Viagem ao Túnel do Tempo"

No dia 16 de agosto/21 tive a oportunidade de ir até Taguatinga, a cidade satélite onde eu nasci. Fiz questão de descer no centro, na praça do relógio, e ir andando até a rua onde morava.

No momento em que pisei naquela praça, cenas de uma Natal marcante vieram a minha mente. Nosso presente de Natal daquele ano foi poder escolher um brinquedo (com preço bem limitado), poder ver as luzes da praça e brincar em seu gramado com minha mãe e meus outros três irmãos. Nunca me esqueci deste Natal.


Logo em seguida passei em frente ao “Santuário Nossa Senhora do Perpétuo Socorro”. Meu pai era católico e fez questão de batizar todos os seus filhos. Foi nesta igreja Católica onde fui batizada e fui dama de honra pela primeira vez no casamente dos meus tios Dirceu e Isani. Eu tinha quatro anos e uma das cenas que não me esqueço foi o momento em que estava em um “salão de beleza”, fazendo um super penteado, sentada sobre dezenas de revista para poder alcançar o “secador de cabelos” de tão pequena que eu era.

Enquanto caminhava pela Comercial Norte não pude evitar olhar para as pessoas mais velhas que passavam e perguntar a mim mesma: ”Será que, de alguma forma, eu tive algum contato com estas pessoas há 20 anos?” Ou quando elas eram jovens ou adolescentes eu pensava: “Será que eles são filhos de alguém que eu conheci?” Louco, não é?


Outro ponto marcante desta “Viagem ao Túnel do Tempo” foi visitar a minha primeira escola. Escola Classe 6. Comecei a estudar ali aos 6 anos de idade. Ainda me lembro, como se fosse hoje, daquela garotinha absurdamente tímida e envergonhada que nem tinha coragem de pedir a professora para ir ao banheiro. Incrível como depois de 39 anos estas sensações ainda estavam tão vivas.


Descendo a avenida interna entre a Comercial e as quadras residenciais, eu ficava cada vez mais admirada com as mudanças de tudo. Mal reconheci a entrada da rua onde morava. Como aquela rua havia “encolhido”. Ela era tão larga e longa quando eu era pequena, ooops! Pequena não, criança. 


Minha primeira missão ali era encontrar a Dona Diran e sua família. Ela era muito amiga de minha mãe. Não sabia exatamente onde ficava a casa. Vi uma jovem senhora duas casas abaixo limpando o carro e pedi informação. Para minha surpresa era outra amiga de infância, Marcinha. Na verdade eu era contemporânea da irmã dela, Marilene, que morreu com o marido e filhos há 12 anos em um acidente de automóvel. Marcinha me mostrou a casa e foi comigo. Foi emocionante, principalmente quando ela perguntou pela minha mãe. Ninguém na rua sabia que minha mãe havia morrido em 2009.
 
De lá fiz questão de ir à casa de Dona Eunice Costa. Deus havia me incomodado bastante para visitá-la porque foi através do ministério corajoso e solitário dela que eu conheci a Jesus como meu Salvador. Ela tinha dez filhos, seu esposo não era um servo de Deus, mas criou todos os seus filhos no temor do Senhor e segundo a Palavra de Deus. Nas férias, ela organizava “Classe de Boas Nova” e convidava todas as crianças da rua para falar das “Boas Novas do Evangelho”. Como não era apoiada pelo marido, lavava roupa para os vizinhos para ganhar o dinheiro que custeava todo o material e presentes para as crianças que não faltassem nenhum dia. 


Eu a encontrei se recuperando de uma fratura causada por uma queda no quintal. Ela não se lembrava de mim no primeiro momento, pois vai fazer 80 anos no final do ano e saí de Brasília há 33 anos. Mas depois que falei quem eu era e de quem era filha, ela não parou mais de falar. A cada 5 palavras uma era sobre Deus, Seu amor, Seu cuidado e gratidão pela sua Salvação. Depois de tirar uma foto com ela eu disse a minha principal razão daquela visita. Com os olhos marejados e a voz embargada falei que o fiel trabalho dela não havia sido em vão. Aquela garotinha de 7 anos que ouviu a Palavra de Deus naquela “Classe de Boas Novas” ministrada por ela virara uma missionária no Brasil por 16 anos e que agora estaria indo servir como missionária no Haiti. Ela ficou emocionada em saber disto. E também com os olhos marejados disso que foi o melhor presente que poderia ter recebido.

Algumas vezes Deus nos dá estes “presentes para o coração”. Ele não disse que sempre veríamos os frutos de nossa semeadura. Só nos disse para semear. Mas às vezes Ele nos permite conhecer estes frutos para honra e glória de Seu Nome, para fortalecer a nossa fé e edificar o Seu povo. Naquele dia foi o dia de Dona Eunice conhecer um pequeno fruto de sua semeadura que consolou aquela serva fiel e dedicada e acariciou o seu coração. Foi também para mim um presente poder rever aquela que perseverou em falar, não só para mim, mas para todas as crianças da rua. Dizer obrigada por perseverar e não medir esforços para proclamar o presente de Deus para os homens: Jesus Cristo, o Salvador. 
Obrigada Senhor pelo seu amor!

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